Sensualidade e Sexualidade

Um olhar sobre a sensualidade como meio de autoconhecimento e empoderamento efetivo na sexualidade. Artigo escrito a quatro mãos com Larissa Offner.

Sensualidade e sexualidade são coisas diferentes, e talvez sejam mais distintos do que você pensa. Se eu propor que você imagine alguém sensual, e depois alguém sexual, provavelmente as figuras serão diferentes.

No entanto, também é provável que a pessoa sensual tenha sido imaginada sexy, provocativa(o), sedutor(a). Sensual e sexual em geral estão relacionados ao pra fora, ou seja, a uma capacidade que só é notada perante o olhar do outro.

Sensualidade não é só isso. A raiz está ligada a sensus, cinco sentidos. Alguém sensual, originalmente, é alguém que tem forte relação com os sentidos do próprio corpo antes de tudo. Pra dentro. E, se parar pra pensar, é uma associação bastante lógica, afinal, mesmo alguém que está “sensualizando” precisa compreender como os sentidos funcionam consigo para usá-los em relação a outra pessoa.

Touro: o arquétipo da sensualidade no Zodíaco

A sensualidade primordial está relacionada ao signo de Touro. “Quer dizer que taurinos(as) são sensuais?” Depende de cada pessoa. A Astrologia séria procura evitar o estereótipo dos signos. A sensualidade de Touro pode se manifestar no gosto por comer (paladar), dormir, usufruir do conforto, ou gosto pelas sensações musculares de uma atividade física, bons perfumes, e até mesmo a arte com estética agradável.

De qualquer forma, Touro no mapa representa nossa relação com os aspectos materiais, sensíveis – sensíveis no sentido sensorial. É o mais físico dos signos, e portanto é o mais ligado às questões do corpo, inclusive a segurança do corpo físico e estabilidade financeira enquanto “garantia” de ter.

O que isso nos diz em relação ao que é sensualidade? Que a sensualidade, enquanto experiência, vem de um autoconhecimento que antecede a relação sexual ou a sedução. É uma relação consigo mesma(o), de entendimento do próprio corpo e vontades.

Basta pensar que Touro é signo após Áries. O carneiro inicia nossa vontade; é impulso e explosão, a ação antes da ponderação; até perceber que o mundo oferece limites, e o primeiro deles é nosso corpo e a materialidade das coisas; aí é que inicia a experiência de Touro.

Compreensão do papel da sensualidade

O arquétipo da sensualidade nos fala da necessidade de entender nosso próprio corpo para utilizá-lo, inclusive com fins sexuais. O que o estimula? O que o provoca? O que o relaxa? Como está o seu corpo agora, neste momento?

A dança do ventre para muitas pessoas é sinônimo de dança sensual. E é. Mas não só no sentido erótico, como vulgarmente é associada. A pessoa quando ensinada de forma coerente ganha uma ferramenta que, antes de tudo, permite conhecer seu próprio sistema e perceber sensivelmente as energias femininas que circulam na região ventral. Curiosamente, é uma arte que sofre preconceito até entre alguns círculos feministas.

Alguns desses movimentos em diferentes continentes confundem o conceito de feminilidade. Percebemos isso quando não se diferencia, por exemplo:

  • a liberdade da mulher para com o próprio corpo, é uma coisa;
  • a própria experiência e expressão da sensualidade pela mulher, é outra coisa;
  • e a objetificação do corpo feminino, como estamos acostumados a ver na mídia, quando a imagem do corpo feminino é colocada sob condições de/para posse; e isso, sim, é para ser combatido.

Um exemplo é que entre as alemãs é comum aparecer a dúvida: Como posso dançar de uma forma sensual (como posso ser sensual) se sou feminista?

Outro exemplo, e fora da Alemanha, é a foto da Emma Watson para a Revista Vanity Fair. Causou polêmica entre as feministas, porque ela aparece na foto em uma composição em topless. “Justo a Emma, tão ativa no feminismo, foi fazer topless?”

A imagem à direita causou protestos entre algumas feministas.

Será que a igualdade de gêneros é o equivalente à equiparação física ao gênero masculino? Será que o corpo é somente uma construção social?

Essa contradição pode acontecer de uma maneira inconsciente. Muitas vezes, por já estarmos insatisfeitas com nossos corpos, nos sentirmos inseguras, sem saber exatamente como lidar com a situação, acabamos nos apegando a uma imagem deformada ou limitada do feminismo: a ideia radical de que mostrar o corpo, expressar e viver a sensualidade, faz parte exclusivamente do contexto da objetificação do corpo da mulher.

O que não percebemos é que, se pensarmos dessa maneira, negando o poder tanto expressivo quanto energético de nossos corpos, portanto não nos empoderando dessa força, acabamos reforçando os contornos do pensamento patriarcal. É uma limitação de nossa essência e expressão feminina, embora tenhamos a crença de que é uma luta feminista.

O caminho é trabalhar a consciência corporal feminina e dialogar sobre a verdadeira definição da sensualidade. E então expressá-la, mostrando assim para o mundo que a nossa sensualidade não se restringe a objetificação do corpo feminino. Eu acredito que essa conscientização poderá contribuir para a verdadeira libertação da mulher na sociedade. A força Yin de recepção que possuímos independe de gênero, mas obviamente se manifesta mais pelas energias uterinas.

Em ação durante aula de dança do ventre na Alemanha.

Dança do ventre: exemplo de sensualidade de dentro pra fora

A sensualidade é uma forma de autoconhecimento e autoempoderamento.

Perguntamos: não faz sentido que uma mulher no domínio de seu corpo, de seus fluxos e de sua natureza, seja muito mais forte e consciente perante os desafios físicos e mentais que o cotidiano estabelece?

Ou que, numa relação mulher-homem ou mulher-mulher, a mulher tenha mais chance de ter suas vontades satisfeitas quando ela, antes de tudo, conhece ao seu corpo e suas manifestações para então colocar-se em relação ao(a) outro(a)?

Por outro lado, alguém com pouco conhecimento de seu corpo está mais sujeita tanto à imposição (ou ignorância) do parceiro e da sociedade, que, bem sabemos, dita de forma direta e indireta os padrões e expectativas de comportamento.

O objetivo desse artigo não é causar polêmica desnecessária, mas olhar para dentro, para a simbologia que o universo sempre nos ofereceu, e compreender o papel da sensualidade como ferramenta à disposição de quem quer desenvolver-se a partir do princípio: a sua vontade e seu corpo.

Larissa Offner é atriz, fundadora e Tanzpädagogin da Feminine Awakening Belly Dance em Berlim, Alemanha. O termo se refere à pedagogia da dança.

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