“Não Acredito em Astrologia”

A maioria das pessoas conhece a Astrologia pelos Horóscopos, que não funciona justamente porque generaliza. Foi assim com você?

Voltava de Belo Horizonte com alguns caronistas. Os assuntos eram muitos, ótima viagem e companhia. No banco de trás, duas pessoas da área de saúde: uma farmacêutica e um futuro psiquiatra; no da frente, eu e o motorista, que é administrador de uma franquia.

Um tempo após nossas apresentações, o estudante de Medicina perguntou a respeito da minha visão da Astrologia. Como a maioria das pessoas apaixonadas pela psiquiatria — ao menos as que eu conheci até hoje — ele logo foi dizendo, com respeito, que era bastante cético em relação a religiões. E foi quando ele soltou:

“…então eu não acredito em Astrologia.”

Eu não sou um fanático, não me ofendo quando não acreditam no meu trabalho e estudo. Mas expliquei a ele que ele estava equivocado quanto à sua premissa: a de que Astrologia é religião.

E aí dei uma explicação sobre a origem da Astrologia, as técnicas preditivas, os princípios herméticos dos quais hoje quase ninguém estuda (escola sem partido, rá), a própria Física Quântica chegando para resgatar esses princípios, a evolução da Astrologia e seu uso, e por fim a relação com espiritualidade — o que não é o mesmo que religião.

Foi uma conversa ótima, e inspirado nesse papo resolvi escrever aqui também. Mas em vez de focar nesses aspectos acima (posso um dia destrinchar aqui, mas não hoje), vou seguir para outros.

Então este post vai passar por estes itens:

  • Astrologia não é religião

  • O problema está na tradução

  • Analogia da linguagem dos arquétipos

  • Astrólogo: medium de um conhecimento milenar

Então vamos lá.

“Não acredito em Astrologia.”

A pessoa que diz isso erra duas vezes.

Primeiro, por considerar Astrologia uma religião ou questão de fé. Astrologia não é isso. É uma aplicação A+B de um conhecimento que existe há milênios e que pode ser interpretada — parte estatisticamente, parte simbolicamente. Já explico.

O segundo erro é desconsiderar a precisão da Astrologia, que também tem embasamento matemático-trigonométrico, sendo a própria mãe da Astronomia.

Não acreditar em Astrologia é quase como não acreditar em Economia ou Meteorologia. A questão está na compreensão dos dados, pois eles representam uma realidade perceptível, embora nem sempre ao alcance dos olhos.

Aliás, muitas previsões de economistas ou do tempo dão errado e nem por isso se deixa de investir na bolsa de valores pu de ir à praia. É uma questão de escolha e valores enraizados, não de crença puramente racional. Como a Astrologia fala de nós mesmos, há espaço para engano e ilusão. É por isso que…

Existe charlatanismo na Astrologia.

Eu sei disso. Infelizmente.

Como em toda área, certo?

No entanto, é interessante perceber que o preconceito contra este conhecimento foi fortalecida em dois momentos:

Na perseguição que a Igreja fez aos astrólogos.

Quem podia pagar pelos serviços dos astrólogos e alquimistas recorria a estes profissionais para buscar respostas que mesmo a religião não dava. E isso era um ultraje para uma instituição controladora: a concorrência pela verdade.

Então a Astrologia foi condenada como paganismo e passou a ser perseguida. Juntaram-na no mesmo pote com os adivinhos e charlatões. Muita gente foi queimada por isso.

Mas poucos sabem que o Cristianismo tem fortes ligações com a Astrologia. Os três reis magos se guiaram pela Astrologia para encontrar Jesus Cristo (a estrela guia); os 12 apóstolos têm simbologia com os 12 arquétipos do zodíacos (Da Vinci sabia); e para comprovar, veja estas duas imagens: a Basília de Budapeste, que eu mesmo tirei. Uma das poucas construções medievais católicas preservadas tem menção clara aos 12 signos em suas pinturas alinhadas com o rosto dos 12 apóstolos. Veja abaixo. Clique na imagem para ampliar.

A outra “perseguição” foi mais de nível científico.

Embora com cara de religioso. No auge do positivismo, pegando força no sec. XIX e enraizado no DNA do sec. XX, apenas valores mensuráveis mantiveram seu status social: a razão acima de todas as coisas, e o homem como medida do mundo. Para muitos, a Astrologia foi reduzida a determinismo (e não me cansarei de negar), portanto contra o livre-arbítrio (o que também não me cansarei de negar, como neste post aqui.)

Uma decorrência deste pensamento, por exemplo, é a própria ideia de que nossas emoções são fruto das reações químicas que acontecem em nosso cérebro. Para quem acredita nisso, mas ignora as pesquisas que dizem o contrário ou estudos que invalidam a crença, são as únicas “evidências” científicas sobre felicidade, amor, raiva etc. Eu mesmo já fui desses que lia revistas Mente & Cérebro e se deliciava com as “provas” de que os fenômenos espirituais nada mais eram que sinapses de zonas cerebrais específicas. (Ainda bem que isso está mudando.)

“Qual meu propósito na Terra?”.

A base das revoluções sociais e científicas se basearam nesses preceitos. Nada contra o avanço, não entenda errado! Mas a gente sabe muito bem que o ser humano, cheio de si, às vezes joga fora a banana por querer se livrar da casca. Nem toda filosofia propagada é livre de intenções de controle social. Mas essa é uma longa história. Sigamos.

Astrologia: interpretação de arquétipos

Então se existem charlatões, o mais correto é dizer “não acredito em astrólogos(as)”.

Porque a Astrologia é um conhecimento que une cálculo e interpretação. O cálculo é preciso, mas a interpretação e a hierarquia de informações depende da habilidade de tradução do astrólogo(a) e da riqueza de seu vocabulário, sensibilidade e percepção de relevâncias. Qualidades que não são mensuráveis, quantificáveis.

Eis a “falha” da Astrologia: não ser redutível a números, quando se diz respeito da interpretação de um mapa ou conjunto de dados ou arquétipos.

Arquétipos são estruturas básicas de experiência, de histórias etc. São como os ossos das ideias. Geralmente a gente conhece arquétipos do Heroi/Heroína, da Grande Mãe, do Grande Professor etc, mas em nossa vida passamos por diversas experiências arquetípicas.

Exemplo: embora cada namoro seja diferente do outro, existe um fio comum em quase todos os namoros: o romance, a diversão, os conflitos, a percepção da vontade do outro etc. Dá para reconhecer quando um relacionamento passou de amizade para namoro porque esses padrões começam a se manifestar, embora nem sempre seja algo pão-pão-queijo-queijo.

Um exemplo da Astrologia: o que o símbolo “Áries” diz sobre o arquétipo Marte/guerreiro ganha sentido quando você identifica os padrões de luta na vida da pessoa. Cada um tem a sua própria batalha, a versão particular de um conceito geral. E o arquétipo de luta envolve empenho, força de vontade, uso de habilidades, ação, energia empregada, conquista etc.

A Astrologia é um conhecimento que já pegou essa experiência arquetípica há milênios e traduziu em símbolos: os planetas em combinação com as casas e os signos, além da interpretação de seus cálculos. É como um arquivo compactado, o famoso .zip.

Já o astrólogo(a) é quem traduz de volta os símbolos encontrados no cálculo do mapa (ou trânsito). Cada pessoa pode explicar a palavra “saudade” de uma forma diferente, umas mais precisas, outras mais poéticas, mas nenhuma absoluta. O mesmo se dá para interpretar “Saturno em Escorpião na Casa 5”.

Então é claro que a “descompactação” da simbologia astrológica numa linguagem pessoal está sujeita a essas margens de erro. É um ser humano e imperfeito quem faz essa ligação.

Astrólogo: medium de um conhecimento

Encerrando, a Astrologia simboliza algo exato (os cálculos) em algo inexato (o conceito), e o astrólogo(a) facilita a compreensão desse cálculo-símbolo na vida prática da pessoa. Une as pontas:

  1. de um lado, as experiências arquetípicas de relacionamento, trabalho, autoconhecimento, família do cliente etc.;

  2. do outro lado, a simbologia astrológica que o profissional estudou ao longo de sua carreira e que aprimorou com a prática;

  3. no meio do caminho, a linguagem utilizada para a tradução disso tudo visando a compreensão por parte do cliente.

Portanto, nesse sentido, o astrólogo(a) é medium de um conhecimento. A base do conceito é o mesmo, mas é o meio que favorece ou prejudica a compreensão e aplicação prática para o cliente.

Eu mesmo não dava muita moral para a Astrologia porque até os 25 anos eu só tinha tido contato com a versão determinista dela: “se você é de tal signo você é assim, que combina com signo assado, que gosta disso na cama, que age daquele jeito no trabalho”. É divertido, mas não cumpre o real propósito desse conhecimento.

Anote: a Astrologia das revista de fofoca, horóscopos, previsões genéricas e programas de TV — ou qualquer que divida as pessoas em 12 tipos — é apenas a capa de um longo e profundo livro. Não julgue o livro pela capa.

Ao meu colega de carona, o batalhador e futuro psiquiatra, espero ter ampliado sua perspectiva! Minha intenção não é convencer, mas mostrar as conexões que poucos falam sobre esse conhecimento que eu levo a sério e pratico com responsabilidade. Um abraço!

#ClaucioAndré #ConexãoDeIdeias #Astrologia #MitosDaAstrologia #AstrologiaFunciona

Comente