Arte, Teatro e Física Quântica, oi?

Por que afinal eu resolvi abraçar essa mistura de temas aparentemente tão distantes e distintos?
Por que é que resolvi escrever, pesquisar e expor os temas contidos nessas duas esferas?

Por que eu acredito que isso seja relevante para o começo deste terceiro milênio?

Você não precisa ser expert em arte, nem ter lido A História Social da Arte, nem ser artista para perceber que os artistas em geral são reflexos de seu tempo. Uns mais, outros menos, uns destoantes, outros engajados; assim como sempre haverá cidadãos assim ou assado, conscientes ou massificados etc.

Um exemplo claro nas artes plásticas é a quantidade de movimentos que aconteceram no começo do século XX após a invenção da fotografia. Como o rebuliço que a imagem tinha provocado à própria noção de representatividade, Expressionismo, Surrealismo, Dadaísmo e cia. foram respostas para dar sentido à existência dos artistas.

É como se os novos conhecimentos da Humanidade estimulasse uma “egrégora astral” que automaticamente refletisse na intuição criativa de seus contemporâneos.

No teatro é ainda mais evidente.

Três exemplos claros (mas a grosso modo) de que o teatro é uma espécie de questionamento para a época com a qual dialoga:

1) Shakespeare viveu numa época de transição (Medieval → Moderna) em que a noção filosófica de indivíduo começou a existir pela primeira vez de fato. Não é à toa que na história do teatro Shakespeare inventou os primeiros personagens com noção de livre-arbítrio, diferente da individualidade trágica dos gregos clássicos.

2) Com o surgimento da Psicologia, no século XVIII, vieram em sequência os dramas psicológicos, cujas falas tinham significados “mais profundos”. Seus expoente, Anton Tchekhov , foi responsável por desafiar um novo teatro russo e uma nova abordagem de Konstantin Stanislavski, que simplesmente criou um sistema pedagógico que inspirou toda a indústria de cinema nos EUA décadas depois. São lembrados pela investigação profunda e psicológica dos personagens criados ou encenados.

3) Hoje no discurso da contemporaneidade, símbolo/ícone/imagem/etc. são recolocados em configurações que muitas vezes fogem da capacidade intelectual da maioria da população. E tô nesse grupo! A especulação do conceito vale mais que a obra em si, e o que vemos refletido nas artes cênicas é exploração dos limites da representatividade cênica, com performances, happenings, instalações, ou mesmo nas peças de teatro da Lady-Gaga-com-abacaxi-citando-Hamlet, quando o discurso vale mais que a construção dos símbolos.

Ao mesmo tempo, há de reconhecer um movimento mais “responsável” para com o próprio ofício. Se por um lado o conceito-pelo-conceito mostra, a meu ver, a sombra artística de um tempo, por outro vejo uma luz por meio de artistas interessados em propósito e autoconhecimento, mais do que a manifestação pura do ego. E isso é também um reflexo da atualidade, pois tenho a impressão que vivemos um boom de coachs, anos sabáticos e discussões sobre o que é propósito, missão de vida etc.

Esses três exemplos foram apenas para citar como teatro enquanto forma ou questionamento espelha as pulsões sociais. Mas o teatro faz mais que isso, principalmente no fazer.

O fazer teatral que reflete a humanidade

Tive um professor que costumava dizer que o ator/atriz é um ser humano melhorado. Para não parecer pretensão de superioridade, sinto necessidade de refazer a colocação: ator/atriz é um ser em treinamento humano.

O primeiro motivo está na forma como acontece o aprendizado, como estes exemplos:

  • O/a ator/atriz aprende sobre o próprio corpo, encara seus medos e limitações;
  • lida com seres de sexo oposto aprendendo que isso não lhe dá o direito de flerte (principalmente por parte dos homens héteros);
  • ao interpretar outro personagem acaba lidando com uma perspectiva que não é a sua, portanto exercita a empatia;
  • na capacidade de servir e entender que seu corpo e seus talentos são manifestações que, como diz Shakespeare, um dia hão de se apagar como a chama de uma vela.

O segundo motivo também é dito em Shakespeare: o mundo é um palco e os seres humanos são apenas atores/atrizes. Portanto, relacionando esta máxima com o pensamento daquele meu professor, os “atores/atrizes de profissão” são os “seres humanos profissionais”.

E o que tem a ver com a Física Quântica, afinal?

Assim como no século XIX os novos conhecimentos sobre a mente humana abriram um novo olhar para inúmeros artistas, e as descobertas da virada do XX aceleraram novas formas de produção, o mesmo tem acontecido no 3º Milênio.

Um dos fenômenos mais fascinantes que podemos presenciar é a reaproximação da ciência com a espiritualidade. Não estou falando de dogmatismo, mas de abertura de campos. Por exemplo, recentemente fiquei sabendo por um professor de neurologia da USP que a quantidade de artigos publicados sobre Medicina Espiritual já ultrapassa os de Medicina Esportiva! Embora pouco se fale disso, por motivos óbvios que um dia escreverei.

Uma das vertentes que alimenta esse interesse é a ala idealista da Física Quântica; idealista porque propõe uma interpretação em que a mente humana tem papel na criação da realidade. Esta não é uma interpretação aceita por todos, mas e qual que é, não é mesmo? Aliás, nenhuma teoria científica ou econômica jamais foi unânime, mesmo a Teoria da Evolução de Charles Darwin, por exemplo.

E um dos “sintomas” que tenho percebido nos meios teatrais paulistanos é um interesse cada vez maior pelos conhecimentos como Física Quântica e Astrologia, e, em algumas vezes, conceitos da Quântica aplicados no fazer teatral! Embora, para minha curiosidade, nem todos saibam que estão falando da mesma coisa.

Exemplos imediatos: quando se fala de presença cênica, insight criativo, ouvir o outro, colocar um elenco em mesma sintonia, capacidade de manifestar o mistério, etc. Falarei mais sobre isso em diversos post específicos que já estou escrevendo.

Conclusão

Eu entro nessa onda de duas formas. Uma, porque posso fazer a ponte entre os temas e gerar valor entre os artistas, para que seus saltos quânticos criativos possam ser mais que fruto do acaso ou de persistência, mas de uma consciência alinhada com o que se tem descoberto sobre Física Quântica, criatividade e propósito.

Duas, porque da mesma forma que as aproximações e reflexões da humanidade acontecem no fazer teatral e artístico durante todos os tempos, acontecem também agora mesmo na criação de obras originais em diversos formatos, e a Física Quântica já está presente. E é pra lá que também vou.

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