A questão do teatro como encontro está longe de se limitar ao encontro diretor(a) e seu elenco. Teatro é encontro com seu público. Portanto a alquimia do encontro deve (ou deveria) dizer respeito também sobre a alquimia do artista quando olha seu expectador. A essência do teatro refere-se à magia do ao-vivo: a expressão de si (ator/atriz) para causar algum tipo de indução no outro (expectador/a). Seja lá qual for a natureza dessa indução.

Do encontro entre artista e público deve portanto haver idealmente um marco zero, para que a linguagem comum possa ser estabelecida. Se a indução for um sentimento, não basta ao artista “sentir” o sentimento. É preciso construir uma sensação que cause este sentimento. Sendo o ator o próprio canal expressivo, ao diretor cabe identificar a forma ótima dessa transmissão; diminuir o abismo que existe entre o que se sente, o que se constrói e o que se expressa; e a conclusão desse processo se dá com cada ser humano que ali se propõe estar presente.

O diretor portanto deve ser capaz, com suas habilidades alquímicas, de “aparatar” (existe?) ou catalisar uma expressividade consciente (expressive awareness), que seria a meditação do/a artista cênico/a em ação.

Veja bem que a arte do teatro encontra analogias na arte da química, da física, embora os materiais dos primeiros sejam feitos da matéria dos sonhos, emprestando aqui a metáfora que encerra a obra de Shakespeare.

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