TEDx é aquela plataforma educativa que reúne palestras sobre temas variados com gurus de cada tema, em eventos e posteriormente na internet. TEDio é o guru inevitável de quem se propõe a ser diretor(a) de teatro.

Digo isso primeiramente pela forma como aconteceram as melhores “aulas” sobre direção que tive até hoje, desde a Unicamp: discussão, reflexão, espaço para o outro mostrar algo que talvez não lhe interesse, e tome conversa em torno disso.

O tédio, no mundo fora dos encontros de teatro, é o monstro a ser evitado: aplicativos sociais, joguinhos, hiperatividade…. tudo vale para evitar o silêncio e a solidão.

Nos encontros entre artistas de teatro, o tédio é inevitável e até necessário: é por meio dele que ecoam nossas questões, ou por meio dele que criamos musculatura para enfrentar um processo teatral.

Não é sempre que surge algo, não é sempre que algo é criado e, se devemos evitar aquele tipo de criação que parte de uma ansiedade (que nada mais é que não estar no presente), o tédio é o treino para a observação minuciosa. É no através do vácuo que existe o salto, pois a poesia não é um poder a ser exercido de acordo com a determinação de nossa vontade. Ela brota.

Nessa altura do campeonato, quase um mês de encontros na oficina, as discussões cada vez mais se aproximavam de conceitos da Física Quântica. Falávamos sobre o ofício do diretor(a) de teatro, sobre energia, observação, escolhas, possibilidades, foco, aquilo que colocamos nosso olhar com pressão ou relaxamento etc.

Gosto sempre de lembrar que o teatro, ou as artes em geral, é o espaço que traz à tona as vibrações de sua sociedade. A escola realista do século XIX ao mesmo tempo nos trouxe obras que nivelavam seus personagens a instintos animais, ou que refletiam mazelas sociais. No mesmo século o nascimento da Psicologia influenciou dramas psicológicos e o “por trás das falas” de teatro, pra não falar do peso de Tchekhov e Sua influência no Tio Stanislavisky. Isso só para dizer um exemplo imediato, pois meu forte não é a teoria da Arte.

Tendo isso como vista, é natural que nas artes do mundo todo comecem a surgir, num primeiro quadro, artistas levantando bandeiras sobre gêneros e privilégios. Foi, inclusive, um dos temas mais trabalhados nos trabalhos desta oficina. Já num quadro maior, a reaproximação da Ciência com a Espiritualidade por meio dos novos paradigmas propostos pela aliança rebelde da Física Quântica começa a reverberar nas questões que os artistas trazem ao seu ofício. Mesmo não sabendo sobre FQ, o tema é recorrente. A Era de Aquário é muito mais que um musical de hippies em fuga. E não digo em relação à temática da obra, e sim ao procedimento e suas implicações “físicas” (considerando que Physis é o estudo da natureza das coisas). O Tao da Física, por exemplo, já é leitura sugerida no curso do CPT (São Paulo/SP).

Foi por isso que propus na altura do campeonato uma mini-palestra sobre Física Quântica no processo criativo, para que os participantes se conscientizassem de que, sim, há algo de realmente quântico em nosso ofício. E que se soubermos um tiquinhozinho que seja sobre seus conceitos (exemplo: como funciona um salto quântico, um spin etc.), poderemos fazer na prática algo frutífero para nós mesmos. Sem artifícios. Sem criações estimuladas pelo tédio. Sem medo.

O resumo da palestra é o tema da próxima parte.

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