Ao longo dos três meses, vinte e quatro encontros da Oficina, aconteceram três tipos de atividades: as discussões e debates sobre os temas surgidos; os procedimentos de direção; e os núcleos de trabalho cênico.

Procedimentos de Direção

São as formas de trabalho que cada diretor(a) trouxe à sala de encontro/ensaio para ser observado e criticado pelos colegas. Procedimentos de livre escolha, e poderiam trabalhar com um(a) ator/atriz, ou dois, ou três… ou todos. Exemplos: trabalho com Suzuki; trabalho de criação por meio dos quatro elementos; trabalho com hipnose etc.

Também aconteceram procedimentos propostos por atores/atrizes e voltados para diretores(as), incluindo o próprio Eric Lenate, responsável pela Oficina.

Em média, duas propostas eram apresentados por encontro.

Projetos de Trabalho em Núcleos

Fomos divididos em núcleos de duas ou três pessoas, sempre um(a) diretor(a) + um(a) ou dois(duas) atores/atrizes. E a proposta de abordagem foi a seguinte.

  • Cada núcleo deveria escolher um tema de interesse comum entre os integrantes (ex.: “O homem em abandono”)

  • Encontrar pessoas relacionadas a esse tema (ex.: moradores de rua) e realizar uma entrevista, atentando-se com critério para as perguntas a serem feitas.

  • Criar uma dramaturgia e/ou personagem a partir do encontro e permeabilidade entre o artista e o entrevistado; ou seja, permitir que a relação desse encontro seja material para a apresentação. Nem ficar no discurso em si fruto da entrevista ou da ideologia do artista, nem cair na performatividade, que no caso exploraria mais a capacidade expressiva do artista e deixaria de lado a figura entrevistada. Não. O objetivo era o meio do caminho.

  • Com o desafio ao diretor(a) de perceber e explorar a singularidade dos/das atores/atrizes à mão, ao mesmo tempo que a estes foi dado o desafio de confiar na singularidade da abordagem do(a) diretor(a).

  • Ou seja, explorar as potencialidades existentes do encontro único daqueles materiais únicos e pessoas únicas; o conceito de “digitais” ou “olhares” que dissemos no texto anterior.

Na medida do possível pude acompanhar também alguns núcleos de trabalho e intervir com apontamentos provocativos sobre o caminho percorrido. O texto sobre isso está em capítulos adiante.

Reflexões sobre Procedimentos e Cenas

Boa parte do que escrevo nessa série condensa os debates que tivemos. Até porque a minha função era a de dar um retorno reflexivo sobre o que fizemos. Algumas das questões surgidas a partir dos procedimentos, no entanto, já foram discutidas aqui até agora, principalmente as que foram aparecendo em mais de uma proposta de trabalho, como a questão do vocabulário (texto 8).

Na próxima página falarei em geral dos procedimentos e as questões levantadas, até para expor o repertório do grupo como um todo. Em outras páginas farei o mesmo sobre os trabalhos e cenas apresentadas, sempre de forma resumida.

“Resumida” porque a experiência de assistir aos procedimentos e as cenas são como a experiência do encontro teatral: só ao vivo se tem noção da coisa toda. Não valeria a pena descrever cada elemento, pois meu objetivo não é fazer um relato da pedra lançada ao mar, e sim das ondas que ela provocou.

Vambora?

PARA TEXTO 11 »

PULAR PARA OS PROCEDIMENTOS »

PULAR PARA AS CENAS »