Quem me conhece há mais tempo no meio artístico sabe que Shakespeare pra mim é deus, e aviso: discordo deles!

Minha questão com o Tio Will é que a modernidade fica tentando adaptá-lo para o contexto ou bandeiras sociais, ou versões/interpretações/recortes. Em resumo, levanto a questão: é mais interessante que eu (artista) me aproxime de Shakespeare, ou que eu puxe Shakespeare até mim/meu contexto? Afinal de contas, suas obras têm sobrevivido a tudo, até mesmo ao Império Britânico.

De qualquer forma, já faz uns anos que me debruço sobre suas obras, influências e mistérios: versões, adaptações, dilemas de montagem, traduções, métrica, direção dramatúrgica, influência cultural, questões de autoria, por aí vai.

Na Unicamp participei de um estudo sobre as questões de Hamlet. Foi disso que percebi os primeiros insights sobre as questões arquetípicas em sua obra, e a partir disso fiz dois ciclos de pesquisa artística (link).

Tão apaixonado estava, que decidi fazer um intercâmbio na Inglaterra só pra ter a chance de interpretar sua obra lá, estudá-lo com o olhar de lá, assistir montagens clássicas e contemporâneas, etc. (O relato resumido da experiência será publicado em breve.)

Palestra sobre as questões poéticas e técnicas das produções britânicas.

Na volta ao Brasil apresentei uma conferência sobre as encenações britânicas do autor, participei de uma mesa redonda sobre interpretação e o valor do texto na Inglaterra, atuei numa peça no CCBB dirigida por um ator da Royal Shakespeare Company (Greg Hicks) e agora dei um tempo, pra não virar vício.

Meu objetivo é ser o maior encenador de Shakespeare da América Latina, misturando todos esses conhecimentos que apresento nesse site. O que não é loucura (a parte dos conhecimentos, risos), visto que no próprio Globe, em seu tempo, o zodíaco estava totalmente representado na face interna da abóboda que cobre o tablado. Afinal, —

há mais coisas entre o céu e a Terra do que julga nossa filosofia.

— minha frase favorita na obra inteira. O “vã” filosofia não existe, pra quem sentiu falta. A monossílaba foi acrescentada por um tradutor para lacrar o verso de Hamlet, mas não existe “vain” ou similar na versão original.

Foto do teto do atual Globe Theatre, em Londres, inspirado fielmente na versão do edifício de cinco séculos atrás.

Aqui vai a listinha das coisas que já fiz por aí com/por Shakespeare.

Direção e experimentos

Os quatro elementos em Otelo – Direção, coordenação, pesquisa e proposição (vídeo e link sobre o projeto aqui)

Flash Mac – direção de roteiro performático por Verônica Fabrini, Festival Remember Me, 450 anos de Shakespeare (Unicamp/SP)

Pesquisas Acadêmicas

Aspectos da Tipologia Humana em Shakespeare e a Poética dos 4 Elementos na Criação Cênica (Unicamp-FAPESP/SP, Or. Veronica Fabrini 2011-2014) – em duas partes que você confere aqui e aqui.

Who is Shakespeare? What is He? (University of Derby/UK, or. Mary McNally 2013) – dissertação sobre questões culturais, autorais e de abordagem artística a tudo que Shakespeare representa. Talvez a parte mais desafiadora do intercâmbio, já que a disciplina era em Letras, não Cênicas. Link para download aqui (em inglês).

Shakespearean Performances in European Theatre Festivals (Ciências Sem Fronteiras e University of Derby/UK, or. Yvonne Hurt 2013) – relatos e comparativos sobre as versões de Shakespeare nos festivais de Edinburgo e Avignon de 2013.

Two Macbeths, Two Hamlets – comparações sobre quatro montagens e suas escolhas de direção. (Ciências Sem Fronteiras e University of Derby/UK – Or. Y. Hurt / D. Dally)

The Bard and the Bad Habit – análise do processo de adaptação de três obras de Shakespeare para uma montagem universitária. (Ciências Sem Fronteiras e University of Derby/UK – Or. Y. Hurt / D. Dally)

Suiting The Action to The Word – reflexão sobre as abordagens de Declan Donnellan sobre o texto shakespeariano no processo criativo (Ciências Sem Fronteiras e University of Derby/UK – Or. Y. Hurt / D. Dally)

Pesquisas pessoais

A direção de Declan Donnellan – um estudo sobre as aproximações dos conceitos da Física Quântica na abordagem do diretor da Cheek by Jowl, cia. de teatro que monta apenas Shakespeare e clássicos do teatro. (link aqui)

Análises de espetáculos

Two Macbeths, Two Hamlets – comparações sobre quatro montagens e suas escolhas de direção. (Ciências Sem Fronteiras e University of Derby/UK – Or. Y. Hurt / D. Dally)

Shakespearean Performances in European Theatre Festivals (Ciências Sem Fronteiras e University of Derby/UK, or. Yvonne Hurt 2013) – relatos e comparativos sobre as versões de Shakespeare nos festivais de Edinburgo e Avignon de 2013.

Contaminações – Festival de Avignon (artigo para Antro Positivo ed. 07, pg. 144) (link aqui)

Canções de Lear — para não dormir ao som de Shakespeare – Reflexões sobre Songs of Lear (Song of The Goat Theatre, dir. Grzegorz Bral), apresentado no Brasil em dez/2014 no Sesc Belenzinho, São Paulo. (link aqui)

Outras atividades acadêmicas

The Warehouse Tempest – Projeto de Iluminação p/ “A Tempestade”. (University of Derby/UK, or. Alex Staford-Marshall 2013)

Shakespeare em Cena: Aqui e Agora – Debatedor (Festival Remember Me, 450 anos de Shakespeare Unicamp/SP, 2014)

Montar Shakespeare na Terra de Shakespeare – Conferencista (Festival Remember Me, 450 anos de Shakespeare Unicamp/SP, 2014)

Atuações

Macduff @ Macbeth – dir. Greg Hicks (2016 CCBB/SP, Sesc Sorocaba/SP e Sesc Santo André/SP)

Macbeth e Banquo @ Macbeth – dir. Veronica Fabrini (2012 Unicamp/SP)

Oberon @ Chatsworth Dream – adp. de Midsummer Night’s Dream, Shakespeare, dir. Paul Hurt (2013 Chatsworth Palace/UK)

Caliban @ Vice and Another Bard Habits – adp. de The Tempest, Shakespeare, or. de Darren Daly (2013 Derby Theatre/UK)

Performer @ Quem é este homem ensaguentado? – dir. Veronica Fabrini (2012 FEIA13 Unicamp/SP)

Para conferir fotos de portfolio, clique aqui.

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